Como Comprar Uma Empresa Em Funcionamento

Saiba como comprar uma empresa em funcionamento

Etapas na aquisição de um novo negócio

A procura de uma oportunidade de negócio é um verdadeiro desafio porque não é fácil encontrar uma empresa para expandir sem uma exaustiva análise de mercado. Claro que há, por exemplo, sites especializados em anúncios de venda e trespasse de empresas onde pode encontrar centenas de oportunidades de negócio de compra, venda e trespasse, mas se não tiver uma ideia nítida do que pretende sentir-se-á perdido entre tantas categorias, tipo de negócio ou de atividade.

Nesse sentido é importante começar por perceber que para muitos empreendedores, a maneira menos arriscada de arrancar com um novo negócio passa pela compra de uma empresa já existente, seja através de franchising ou de trespasse. Isto porque a empresa já tem uma clientela fixa, notoriedade no mercado e uma forma própria de funcionar. Além disso, a equipa já está formada, as licenças, concessões, alvarás e outros registos já existem e os bancos preferem trabalhar com empresas que possuem historial.

Pode ainda interrogar-se sobre se é melhor comprar a totalidade de uma empresa, comprar uma participação social ou entrar como novo sócio através de um aumento de capital da sociedade. E para encontrar a resposta certa para estas questões, tem de colocar num prato da balança as vantagens e no outro as desvantagens de cada uma das situações.

Seja como for, para não fazer um negócio ruinoso, antes de avançar com a compra de uma empresa, avalie se é ou não uma boa aposta e siga estas etapas:

comprar empresa

1. Sector

Escolha o setor onde opera a empresa. É o primeiro passo a ter em conta quando quer adquirir um negócio que já existe. Trata-se de uma empresa de telecomunicações, de um restaurante ou de uma sapataria? É um sector em grande ascensão ou um sector tradicional? Como funciona a economia desse tipo de negócio? Ganha-se dinheiro com empresas deste género? Depois de ter a resposta a estas e outras perguntas, opte por uma área de atuação que faça sentido para si – seja por razões pessoais ou estratégicas – e sobre a qual tenha conhecimentos. É fundamental que goste realmente do negócio, caso contrário é mais fácil desmotivar-se e fazer uma gestão comprometedora. Enquanto que se tiver um conhecimento profundo do negócio que vai comprar, o processo será significativamente mais suave.

É importante também que não abrace a primeira oportunidade que aparece. A escolha do negócio a adquirir deve obedecer a certas regras básicas que têm a ver, essencialmente, com o sentido que o negócio faz tanto para si como para o sector onde opera a empresa. Faça pesquisas, informe-se sobre legislação em vigor e futura legislação que possa afetar esse setor empresarial. Lembre-se que cada setor comercial tem as suas próprias revistas especializadas e associações e conheça-as.

2. Escolha o tamanho do negócio

Uma vez decidido o setor de negócio, é preciso saber qual o tamanho da empresa que pretende adquirir. O tamanho depende, claro está, do montante que pode ou quer investir. Defina esse valor equacionando o montante disponível no momento, a capacidade de se endividar junto da banca, a possibilidade de se associar a outras pessoas de confiança, etc. A par, deve definir o volume que consegue administrar: volume de negócios, número de funcionários, localização e dispersão geográfica, mercados, etc.

3. Procure o negócio

Depois de definir o setor de atividade e o tamanho da empresa a adquirir, comece a procurar o negócio mais adequado. Há duas formas de procurar o seu negócio: encontrar um à venda ou aproximar-se de uma empresa que não está à venda mas que lhe interessa comprar. Não sinta receio. Se o negócio que quer comprar não está à venda nada o impede de se aproximar diretamente do proprietário e fazer uma oferta. Cada empresa tem o seu preço mas se seguir este caminho, é aconselhável contratar um intermediário para representá-lo. Há muitos corretores de negócios (agentes imobiliários de compra das empresas) e empresas de contabilidade que poderão fazer as negociações em seu nome.

Independentemente do caminho que tomar, faça as suas pesquisas, seja pessoalmente (deslocando-se aos locais e fazendo perguntas) seja analisando notícias em jornais, seja através da Internet ou mesmo através de um business broker ou especialista na matéria.

4. Encontre-se com o vendedor

Uma vez encontrado o negócio que pretende adquirir, começa a fase de negociação. Se o dono do negócio em questão não estava a pensar vendê-lo, será preciso convencê-lo, provavelmente oferecendo um bom preço. Se pelo contrário, estava com bastante pressa para o vender, desconfie. Interrogue-se sobre o motivo da venda, sendo que para chegar à resposta a esta questão não deve optar pelo caminho mais curto porque de pouco lhe serve perguntar diretamente à pessoa que está a vender a empresa. É provável que lhe minta ou que lhe oculte alguns factos. Faça uma pesquisa, uma observação direta como se fosse um cliente e se possível faça-se acompanhar de outras pessoas da sua confiança para que possa ser o mais isento e abrangente possível. Não avance sem perceber em que se baseia a atividade da empresa e por que razão o atual dono a quer vender.

Seja como for, prepare cuidadosamente uma reunião com o vendedor, se possível fazendo uma ou várias simulações de reuniões com especialistas ou pessoas que já tenham estado em situações semelhantes, para ir mesmo bem preparado.

Atenção que se trata de um acordo entre duas partes que sem um bom entendimento entre as pessoas poderá ser um fracasso. Mantenha-se cordial e cooperativo, sem deixar de ser firme. E não se esqueça do aspeto sentimental do negócio: o atual proprietário só vai vender a empresa se tiver a certeza que esta fica em boas mãos.

É importante notar que, nesta fase inicial das discussões, o preço é um dos aspetos mais importantes. Se o vendedor não avançar com um valor, faça uma oferta indicativa mas tenha em conta que esta pode mudar no futuro. Entre esta fase e a data da assinatura do contrato, pode obter alguma informação sobre o negócio que afete o valor que apontou e consequentemente pode querer negociar o preço. Fique à vontade para falar sobre o que está disposto a pagar nesta fase mas com a certeza de que a proposta não será vinculativa após uma investigação mais aprofundada.

5. Avalie o negócio

É aqui que vai avaliar o vendedor e que o vendedor o vai avaliar a si. O vendedor vai averiguar as suas capacidades para desenvolver o negócio e para o gerir de forma adequada e você vai avaliar a capacidade da empresa gerar resultados do ponto de vista dos seus recursos humanos, materiais e financeiros.

Dedique-se aos aspetos financeiros do negócio, faça uma auditoria e assegure-se de que a empresa tem as contas em dia. Se não é especialista em contabilidade e finanças, o melhor que tem a fazer é contratar um profissional desta área capaz de analisar a performance da empresa através de vários rácios, nomeadamente: necessidades de fundo de maneio; liquidez (geral, reduzida ou imediata), rotação de stocks (de matéria prima ou de produtos acabados); prazo médio de recebimento e prazo médio de pagamento; solvabilidade; rentabilidade (do capital investido e do capital próprio, das vendas); produtividade; cash-flow; ponto crítico das vendas, etc.

Avalie também aspetos intangíveis, como propriedade intelectual e boa vontade e tenha em mente que, em última análise uma empresa vale o que você está disposto a pagar por ela.

6. Assine a Carta de Intenções

A Carta de Intenções é um documento que indica um certo número de regras tanto para o vendedor como para o comprador e que serve para provar o nível de comprometimento. Não é um contrato mas convém assiná-la porque contém pontos estratégicos importantes. A Carta de Intenções deve ser elaborado por um advogado, especialista em contratos de negócios.

7. Faça diligências

  • Averigue qual a situação jurídica real dos recursos humanos e informe-se sobre a existência de qualquer situação de litígio que poderá implicar custos acrescidos para si.
  • Informe-se sobre os direitos de propriedade industrial e intelectual: verifique se os bens podem ser transmitidos, se existe documentação da propriedade desses bens, se existem algum litigio pendentes, etc.
  • Verifique se todos os bens móveis e imóveis adquiridos se encontram onerados por hipoteca ou penhor ou ainda sujeitos a reserva de propriedade.
  • Analise os contratos de execução continuada, ou seja, os contratos de arrendamento, de leasing, de distribuição, etc. Descubra se existe incumprimento.
  • No caso de existirem créditos de curto prazo, veja se são incontroversos e se o devedor os pode pagar.
  • Confirme se a empresa possui todas as autorizações e registos legais para poder exercer a sua atividade e verifique se estes podem passar para o novo proprietário, você!

8. Elabore o contrato

O contrato é redigido por advogados e deve conter:

  • As condições da venda
  • O montante a pagar
  • A forma de pagamento
  • O conjunto de bens tangíveis ou intangíveis que passam de propriedade

9. Assine o contrato

Parece que o negócio já está no papo, não é? Mas não… Muitas vezes, depois de meses ou anos de negociações e muito dinheiro gasto no processo de aquisição, o contrato não é assinado. E a nova empresa só é considerada do comprador quando todas as assinaturas estão no papel. Algumas das razões para que isso aconteça são: alterações drásticas na vida de uma das partes (tais como problemas de saúde, familiares, nova oportunidade profissional, etc), aparecimento de informação relevante que não tinha sido divulgada e… desistência pura e simples.

Mas acreditamos que não seja esse o seu caso e convidamo-lo por fim a passar à última etapa.

10. Tome posse

Parabéns! Depois de assinado o contrato resta-lhe tomar posse da empresa.
É tempo de pensar nas mudanças que quer implementar sem esquecer que normalmente os clientes tendem a revelar-se mais conservadores e leais na hora da mudança de dono de um negócio. Vá com calma e com bom senso. Não se esqueça que a empresa tem uma personalidade própria, que deve ser respeitada.

E bons negócios!

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About The Author

Sofia Santos

Licenciada, pós-graduada e mestre em Comunicação, exerce atualmente a atividade de Técnica de Marketing na PC.Clinic. Adora as estratégias online para difusão de marcas, produtos e serviços de empresas mas gosta mais ainda de as usar para ir ao encontro dos desejos e necessidades dos consumidores mais exigentes. Pelo meio não consegue largar a produção de conteúdos de qualquer género e em qualquer tipo de suporte. Para ela escrever é dançar com as letras. É brilhar, rodopiar, suar, cansar, aprender, rir e sonhar. Ir e voltar sem sair do lugar.

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