Tendências e mu(n)danças

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Século XXI e século XX. Quais as diferenças? Todas. O mundo mudou, e muito.

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Percorrendo o caminho mais antigo da humanidade verificamos que por exemplo os registos da invenção da roda distam mais de cinco mil anos dos registos do primeiro voo de avião, e surpreendemo-nos mais ainda, ao constatar que por exemplo, entre esse primeiro voo e a aterragem na Lua decorreram apenas aproximadamente 60 anos. A cada dia que passa surpreendem-nos as notícias onde mais um smartphone foi criado, mais um GPS nos pode ajudar, mais um drone nos permite uma visão de uma perspetiva nunca antes vista…

A geração atual não vive sem um telemóvel na mão, sem o wi-fi por perto, ou sem o twitter para acompanhar as notícias em primeira mão, que republica depois no facebook à espera de um banho de likes, acompanhado por uma partilha de fotos inspiradoras no instagram.

Já não imaginamos o mundo sem wikipédia, Skype, whatssup, chamadas e mensagens para todas as redes, youtube, 9gag… Já não sabemos inspirar-nos numa receita para o jantar, porque em menos de nada existem 4 aplicações que nos ajudam a decidir o que vamos comprar, quanto vai custar e ainda o tempo de execução. A necessidade humana pelo conforto gerou estes nichos de negócio que a cada dia que passa são explorados da forma mais ávida, alimentando-os nós mesmos, através dos nossos instintos mais primordiais (que também já foram estudados) e se sabem relevantes para a disseminação deste tipo de tecnologia. O “Homo tecnológicus” evoluiu porque todos sabemos que temos em nós o “Homo preguiça”.

Mas será que vamos ter para sempre este instinto facilitador da nossa vida? Será que não iremos chegar a um ponto em que tudo já é fácil e por isso não há mais motivação para melhoria? Talvez isso não aconteça por força do tempo que cada vez mais se estende para nós. No mundo em que vivemos a tendência já não é morrer cedo. Muito pelo contrário. Passamos a ter mais tempo para ver todas as mudanças a acontecer, permitindo (ou não) mudar os nossos paradigmas sociais e culturais.

O que é certo hoje pode não ter sido assim considerado há escassos anos atrás, sendo que o inverso também pode acontecer. A evolução nas ciências médicas permitiu não só em termos básicos uma redução elevada da mortalidade infantil, bem como um aumento da esperança média de vida (que em 2300 as Nações Unidas estimam entre os 100 e os 106 anos). A tendência é a de cada dia que passa aumentar a probabilidade de vermos o mundo durante cada vez mais tempo, num espaço que é tão nosso e de todos ao mesmo tempo.

A globalização deu nova forma ao mundo, permitindo-nos tornar a todos parte de uma só casa. Essa casa é grande e possui várias divisórias com pessoas que trabalham de formas diferenciadas para um fim comum – o bem-estar de si próprios. Desse modo, por vezes incorrem em lutas inglórias e pouco justas, dispondo para isso de recursos ilimitados em termos tecnológicos, mas muito limitados em termos humanos.
Estamos a perder a essência de ser-se humano, que sente sensações, emoções, e que não é perfeito, e que por isso é que permitiu todo o desenvolvimento até agora experienciado. Desumanizar a humanidade será o próximo passo? Será que a ganância de quem procura na economia uma resposta à sua insatisfação pessoal, permitirá um dia a perda total de valores éticos e morais constituídos como pedras basilares de uma sociedade, com a justificação de que mudanças são precisas, e por consequência são necessários ajustes ao quadro moral com que a sociedade se deveria reger?

Muitas são as questões levantadas e as respostas inexistentes. Quem pensa sobre estas questões desespera, e muito. Não se encontram respostas certas hoje em dia. Todos opinam sem dar verdadeiramente a sua opinião, fazendo das suas devoções a clubes ou religiões, os pregões das formas de como a vida deve ser vivida. Como costumam dizer os mais velhos “o mundo está perdido” mas não em termos de destino, porque esse está muito bem definido num plano de negócio estudado ao pormenor, está sim perdido de si mesmo e do pensamento crítico que precisava ter, mas que as massas afogam em piscinas de “gostos”. Ainda assim somos humanos e fomos criados com tudo aquilo que precisamos para vingar na vida. Possuímos dentro de nós todas as respostas para as nossas inquietações, mesmo que às vezes não nos apercebamos disso.

Em suma, na sociedade em que vivemos a tendência é a mudança. Vivemos num mundo que muda a cada segundo e que nos obriga a acompanhá-lo num ímpeto de realização pessoal e de participação nos acontecimentos, onde a ciência e a tecnologia nos ajudam a ficar a par, e a sentir uma sensação de controlo daquilo que na verdade não pode ser controlado – o futuro.

Sobre Daniela Ferreira
Daniela Ferreira
O meu nome é Daniela Ferreira e sou Engª. do Ambiente formada pelo Instituto Superior Técnico. Defendo que a função de um engenheiro é servir. É pôr a tecnologia ao serviço da população. Defendo a educação ambiental com unhas e dentes. Sou uma acérrima defensora de que a verdadeira forma de alcançar o desenvolvimento sustentável de que tanto se fala passa pela educação das gerações mais novas, e a re-educação das mais maduras. Adoro escrever (poesia sobretudo), pintar, desenhar e dançar. Não sou uma engenheira convencional. Mais do que isso sou uma mulher “de ideias fixas.” Leiam-me. Não se vão arrepender.
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