Primeiros Socorros – Saiba Socorrer Ou Informar

primeiros socorros

É muito frequente o Homem não pensar que algo de grave vai acontecer. Ter pensamentos negativos ou mais depreciativos é comum, mas nunca pensamos exatamente de que forma física eles se podem expressar.

É um assunto incómodo e ainda tabu falar por exemplo da morte. Mesmo quem diz que lida com ela de forma natural e normal, ao pensar na doença que a antecede, ou na forma de morrer, acaba por soltar um suspiro de inevitabilidade que deixa transparecer o medo que esconde.

Assim sendo, quando se pensa em prestação de primeiros socorros acontece uma de duas coisas: ou ignoramos a sua existência (e quando algo acontecer delegamos a tarefa ao instinto), ou estamos conscientes da melhor atitude a tomar face à situação (e descansamos depois de prestar auxílio).

Os “primeiros socorros” são um conjunto de medidas que devem ser tomadas rapidamente, em caso de acidente ou de outra emergência (comumente designadas por doença súbita). São, portanto, a primeira ajuda a prestar a uma pessoa, para impedir o agravamento do seu estado de saúde, antes de poder receber cuidados especializados.

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Importa clarificar para além desta definição, a noção de socorrista. Socorrista é qualquer pessoa que tire um curso de primeiros socorros numa entidade credibilizada para o efeito, como é por exemplo a Cruz Vermelha de Portugal. Após a aprovação no curso, recebe um cartão de socorrista e fica habilitada a socorrer qualquer pessoa em caso de doença súbita, sendo que apenas pode prestar os primeiros socorros e de seguida contactar o 112 para que aí, os profissionais especializados possam então tomar conta da ocorrência e da vítima.

Em situações de doença súbita, sobretudo quando acontecem em espaços públicos, é comum ver-se um cordão de pessoas em volta da situação, dada a tão típica curiosidade mórbida do ser humano. É importante perceber que nessas situações quanto menos pessoas estiverem a cercar a situação, mais facilmente a vítima pode receber assistência de um socorrista ou de alguém que saiba prestar os primeiros socorros e tenha chegado primeiro ao local.

Típicamente a cadeia de socorro é iniciada primeiramente ao analisar as condições de segurança do local (para garantir a segurança da vítima e do socorrista), depois analisar o estado de consciência da vítima, e por fim accionando o 112.

É exatamente aqui que qualquer pessoa pode fazer a diferença. Nestas situações é natural que o stress e a adrenalina levem a melhor sobre o estado consciente de cada um de nós, todavia, manter uma postura calma e relaxada ajuda a ajudar o socorrista, e por consequente a vítima. Quando o socorrista solicita a algum dos presentes que este ligue para o 112, ou quando uma pessoa sem formação de socorrista se depara com uma situação de doença súbita, a informação que esta deve dar ao operador é crucial no salvamento de uma vida, permitindo desta forma não só a seleção adequada dos meios, mas também uma resposta mais rápida dos mesmos.

Lembre-se então da seguinte sigla “QQQO” – Quantos? Quem? O Quê? Onde?. Ao telefone com o 112 informe qual é o número de vítimas e se está um (ou mais) socorristas no local, quem é a vítima, se é mulher (se está grávida ou houver suspeitas), homem, criança, e se possível uma estimativa da idade, o que se passou (se foi uma situação de queda, desmaio, atropelamento, eletrocussão etc.) descrevendo com brevidade a situação e por fim onde é que a ocorrência aconteceu, dando sempre que possível a morada exata acompanhada de pontos de referência (ao lado do café x, na estação de metro da linha x na direção y, ao pé da bomba de gasolina, etc.).

Ao conseguir dar toda esta informação ao 112, o CODU – Centro de Orientação de Doentes Urgentes irá conseguir mais rapidamente enviar ajuda especializada para o local num espaço de tempo mais curto do que o habitual, podendo assim salvar-se uma vida.

A desresponsabilização social para situações deste tipo, bem como a falta de conscencialização de passos tão simples como o “QQQO”, acaba muitas vezes não só por dificultar a ação da cadeia de socorro como também gerar uma má imagem dos profissionais deste ramo que todos os dias assistem as mais diversas e complexas situações.

Outro aspeto que é relevante analisar é a necessidade de criar a consciência para os primeiros socorros nas crianças. Sabemos que ser criança é ser imprevisível, sendo por isso essencial não só formar as crianças (que podem vir a ajudar os seus semelhantes) como também os seus pais e familiares, que, por aprendizagem dos avós ou pessoas mais experientes acabaram por passar ensinamentos não tão corretos no que toca a prestar os primeiros socorros.

São exemplos de erros no que toca a prestar os primeiros socorros:

erros

  • Dar água com açúcar a alguém que desmaiou. O correto a fazer será colocá-lo em posição lateral de segurança porque ninguém nos garante que a vítima não é diabética;
  • Colocar a cabeça para a frente ou para trás quando existe sangramento do nariz. O correto será colocar a pessoa em posição sentada com a cabeça direita e apertar o nariz, amparando o sangue que cai com um lenço;
  • Colocar betadine numa hemorragia. O correto será estancar primeiro a hemorragia com recurso a um pano ou compressa fazendo pressão sobre a hemorragia e colocar se possível essa zona ao alto, e então quando a hemorragia parar aplicar o betadine.
  • Furar bolhas. O correto será hidratá-las e acolchoar a zona até que elas rebentem por si mesmas;
  • Colocar manteiga numa queimadura ou água fria. O correto será humedecer a zona com um pano ou compressa embebida em água morna indo gradualmente mudando para água cada vez mais fria, para um arrefecimento gradual da zona afetada;
  • Movimentar uma vítima. O correto será movimentar a vítima apenas se esta estiver ainda sem condições de segurança à sua volta (p.ex. Havendo a possibilidade de queda de objetos em cima da vítima).

Estas são algumas das situações mais comuns, situações essas que se devem evitar, e que ocorrem não só por falta de formação mas também por passagem de testemunhos errados no que toca à prestação de primeiros socorros.

Deste modo, e como a vida é feita de mudanças repentinas, é sempre importante ter consciência de que um evento de doença súbita pode acontecer perto de nós. O segredo para lidar com ela é respirar fundo 3 vezes de forma intensa e vigorosa (sim funciona, e é a técnica usada pelos profissionais experientes que operam em ambulâncias) e agora que já sabe o que fazer, ajude o próximo. Se não sabe socorrer, já sabe informar e pode ajudar a salvar uma vida.

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Sobre Daniela Ferreira
Daniela Ferreira
O meu nome é Daniela Ferreira e sou Engª. do Ambiente formada pelo Instituto Superior Técnico. Defendo que a função de um engenheiro é servir. É pôr a tecnologia ao serviço da população. Defendo a educação ambiental com unhas e dentes. Sou uma acérrima defensora de que a verdadeira forma de alcançar o desenvolvimento sustentável de que tanto se fala passa pela educação das gerações mais novas, e a re-educação das mais maduras. Adoro escrever (poesia sobretudo), pintar, desenhar e dançar. Não sou uma engenheira convencional. Mais do que isso sou uma mulher “de ideias fixas.” Leiam-me. Não se vão arrepender.
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