A Importância Da Água Como Património A Proteger

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

“A água não é um produto comercial como outro qualquer, mas um património que deve ser protegido, defendido e tratado como tal”

– Princípio primeiro da Directiva – Quadro da Água da União Europeia

Sabia que pode sobreviver até uma média de 45 dias sem comer, mas que sem beber água não aguentaria mais do que uma semana?

A água é sem dúvida dos recursos mais importantes do planeta para o ser humano no que à sua sobrevivência diz respeito, sendo por isso necessário preservá-la e ter consciência de que ainda que exista em grande percentagem no planeta, a parte disponível para uso não abunda assim tanto quanto o caudal nas nossas torneiras quer fazer parecer.

A presença da água no planeta representa uma cobertura de 71% da superfície terrestre e corresponde ao volume de 1.400 milhões de quilómetros cúbicos. Desse volume, 98% possui um teor em sal demasiado elevado não só para consumo humano como também para a maior parte dos usos industriais, sendo os restantes 2% a parte que pode ser considerada utilizável.

agua

Dessa parte utilizável (que nunca é demais voltar a frisar que são apenas 2%) a maioria da água encontra-se sob a forma de reservas de água doce retidas nas calotes glaciares dos polos, nos glaciares e águas subterrâneas. A restante parte são as águas superficiais dos rios e dos lagos que no total dos 2% representam apenas 0.014%.

Em termos de disponibilidade de água verifica-se uma grande variabilidade em várias regiões do mundo, sendo que os maiores volumes de água se concentram nas zonas temperadas e regiões equatoriais e que são zonas de menor concentração populacional, enquanto que, no caso da Europa, por exemplo, o volume de água per capita (por pessoa) representa metade da média mundial do volume de água total per capita. Apesar deste excesso de consumo, dado que a maior parte do continente se situa na zona temperada e muitos rios mantêm um débito constante, esta situação acaba por não gerar um défice de recursos. Todavia no caso das regiões tropicais e áridas onde os limitados recursos hídricos se encontram desigualmente repartidos, essa compensação já não acontece levando a situações de escassez deste recurso vital.

A estas desigualdades naturais juntam-se as pressões da procura para fins de desenvolvimento económico e social, sendo estes os principais fatores da diminuição das disponibilidades e do acréscimo da vulnerabilidade do recurso água.

A garantia da subsistência das populações está dependente de um fornecimento de água previsível (que apesar de tudo não é fácil de prever), sobretudo porque os rios e os aquíferos são transfronteiriços e isso pode fazer com que o consumo de água num país afecte a periodicidade dos fluxos que chegam aos consumidores a jusante, mesmo quando o caudal de água permanece inalterável.

À semelhança da distribuição também os usos da água têm a sua geografia. Assim verifica-se por exemplo que as regiões que mais sofrem da desigual distribuição geográfica dos recursos hídricos – nomeadamente o norte, o leste e o sul de África, o Próximo e o Médio Oriente, e o sul da Ásia – são aquelas onde a procura é mais importante.

No presente ano estima-se que cerca de 3 biliões de pessoas viverão em países com dificuldades em mobilizar água suficiente para satisfazer as necessidades alimentares, industriais ou domésticas dos seus cidadãos. Essa vulnerabilidade é acrescida se tivermos em conta que para responder às exigências internas, os recursos hídricos não provêm exclusivamente do interior das fronteiras, mas são partilhados e dependentes de outros estados / países / localidades.

falta de água

A preocupação de muitos países em criar legislação adequada à questão da gestão dos recursos hídricos começou desde cedo. Todavia uma limitação se impunha. Todos os países tentavam legislar sobre a água como se ela fosse um bem nacional, mas posteriormente foram-se apercebendo que este recurso atravessava fronteiras políticas sem precisar de passaporte, através de rios, lagos e aquíferos. A partir daí as águas passaram a ser consideradas um bem transfronteiriço cuja interdependência hidrológica se estende para além das fronteiras nacionais, ligando consumidores de diferentes países dentro de um sistema partilhado. O desafio impunha-se: era necessário gerir essa interdependência internacional.

Sendo um recurso de tão elevada importância tornou-se então necessário garantir o seu uso de forma eficiente, racional e parcimoniosa, pelo que se procurou que estes critérios se constituíssem como as linhas orientadoras da política de gestão da água no mundo tendo gerado a constituição de várias convenções e diretivas sobre a água.

Em qualquer Convenção de proteção da água procurou-se então atender ao grau de desenvolvimento dos países nos quais será aplicada, pois por exemplo, se for um país em vias de desenvolvimento, pode constituir-se como um entrave no sentido em que não se podem estabelecer princípios como o da precaução ou a preservação da biodiversidade, quando estes se exclusivamente respeitados se constituem como uma limitação ao consumo dos recursos em países já com grandes limitações sócio-económicas.

No caso concreto de Portugal existe a Convenção sobre Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-espanholas comumente designada por convenção de Albufeira que foi assinada em 1998. Esta convenção constituiu-se como um importante instrumento de resolução de potenciais situações de conflito relativas à gestão dos recursos hídricos partilhados por Portugal e Espanha, visando potenciar a cooperação entre ambos os países sempre com o objetivo de proteger as águas das bacias hidrográficas partilhadas e assegurar o uso sustentável das mesmas.

A Convenção de Albufeira é uma das prova de que Portugal possui quadros legais em matérias de proteção dos seus recursos, sobretudo no presente caso, de um recurso tão importante para a vida como é a água. Assim sendo, a única crítica que poderá ser levantada é à implementação concreta (ou não) deste instrumento.

Desta forma, uma vez mais se torna importante destacar a necessidade de dinamismo que a sociedade tem de ter. Em vez do queixume recorrente, o que é preciso é procurar pelos regulamentos, pelas leis, pelas convenções que dão cobertura à gestão dos vários tipos de recursos, pois para que a sua aplicação aconteça, torna-se necessário mostrar aos governantes que a sociedade é uma sociedade participativa e com conhecimento e por isso, através da integração das suas ideias/sugestões poderão ajudar a melhorar as políticas de gestão dos recursos, que hoje ainda são de todos, mas que mal geridos, não sobrarão para ninguém amanhã.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Artigos Relacionados

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Procura

ARTIGOS POPULARES

10 Etapas para criar um e-commerce e vender na maior loja do mundo!

Ter um computador com acesso à internet é fundamental, mas não basta para começar a vender na maior loja do mundo. Conheça as 10 etapas para criar um e-commerce, aqui!

Como abrir uma loja virtual em Portugal

Da legislação ao software de faturação, passando por uma série de especificações técnicas! Tudo o que precisa de saber para abrir uma loja virtual em Portugal!

12 Passos Para Abrir Uma Loja Online

Hoje em dia, esteja onde estiver e seja a que horas for, desde que tenha acesso à Internet, pode entrar numa loja online, colocar um produto no carrinho de compras, pagar e aguardar a entrega na comodidade do lar. Assim, motivos não lhe faltam para desejar abrir uma loja virtual.

Como Vender No Ebay Passo A Passo

Saiba como vender no ebay passo a passo Vender no eBay, na empresa de comércio eletrónico mais conhecida no mundo, é semelhante a vender

25 Ideias Para Criar Uma Pequena Empresa

Investimento reduzido + espírito empreendedor = negócio rentável Se tem interesse em abrir um negócio lucrativo mas pouco dinheiro para investir, não esmoreça.

Como Abrir Uma Loja Na Internet

Saiba como abrir uma loja na Internet. Vantagens e benefícios de uma loja na Internet. Além de ser uma solução fácil de implementar e gerir, uma loja online apresenta inúmeras vantagens

Como dominar um teste psicotécnico antes que ele o domine a si

Os testes psicotécnicos são uma ferramenta de seleção utilizada em todo o mundo em processos de recrutamento de candidatos para um trabalho, geralmente antes de ser realizada uma entrevista.

A Importância Da Comunicação

Tanto em família como em negócio, não dar importância à comunicação significa perder oportunidades de construção de um bom relacionamento.

Como Abrir Uma Empresa Online?

Para que seja mais fácil abrir uma empresa online e gerar um desenvolvimento económico, o Portal da Empresa desenvolveu ferramentas que permitem criar, de forma simples e segura, empresas online.

Como Criar Uma Empresa Da Forma Tradicional Passo A Passo

O método Tradicional de criação de uma empresa é o mais demoroso, pressupõe várias deslocações e uma atenção acrescida. Contudo, tem a vantagem do contacto pessoal e da facilidade de esclarecimento de dúvidas.

Conteúdo

A Importância Da Água Como Património A Proteger

Usamos cookies para que o site funcione corretamente, personalizar conteúdo e anúncios e para analisar o nosso tráfego.
Consulte a nossa política de privacidade.