Grande Confinamento: que resultados podemos esperar para a economia mundial?

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Grande confinamento: que resultados podemos esperar para a economia mundial?

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já batizou esta crise na economia mundial motivada pela Covid-19 de “Grande Confinamento”, na sequência da Grande Depressão nos anos 30 e da Grande Recessão que motivou a crise financeira de 2008… e de tantos outros momentos que causaram GRANDES danos à economia!

E este Grande Confinamento não augura nada de bom. Pelo contrário! Anuncia um declínio acentuado de muitas atividades económicas.

De acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o estado da economia mundial, prevê-se uma contração como nunca se viu nos últimos 90 anos. Mais especificamente uma contração de cerca de 3% em 2020, motivada pelo novo coronavírus que, além de graves danos na saúde publica, levou muitas empresas a fechar portas ou pelo menos a reduzir drasticamente as vendas durante o estado de pandemia que foi decretado um pouco por todo o mundo, incluindo em Portugal.

É de recordar que, antes do aparecimento do novo coronavírus, previa-se que a economia mundial continuasse em expansão a crescer 3,3% e a exibir uma pequena subida se comparada com os 2,9% registados em 2019. Porém, com a Covid-19 e apenas num par de meses, esta previsão foi por água abaixo! Este ano, segundo o FMI, irá registar-se uma redução do PIB per capita em 170 países, sendo que se poderão observar ao mesmo tempo, recessões quer em países avançados (com o PIB a cair 6,1%), quer em países emergentes (com o PIB a cair 1%).

Naturalmente que estes dados pressupõem a resolução relativamente rápida do problema sanitário que a Covid-19 levantou e o consequente desprendimento das medidas de confinamento. Caso contrário, os números poderão ser ainda mais avassaladores…

2020 | Economia mundial em contração

Quando as autoridades de saúde de Wuhan na China começaram a notificar um conjunto de pacientes com pneumonia de causa desconhecida, em dezembro de 2019, nada faria prever que a causa fosse uma nova estripe de coronavírus, altamente contagiosa, e que acabasse por afetar também e de forma rápida a economia mundial.

Desde o início de 2020 que as bolsas mundiais caíram cerca de 30% na maioria dos países mais ricos do mundo, e só na Zona Euro prevê-se uma contração de 7,5%: com o PIB a cair na Grécia 10%, em Itália 9,1%, Espanha e Portugal 8%, Alemanha, França e Holanda para valores na ordem dos 7%, etc. E fora da Europa a situação não é nem será num futuro próximo mais animadora. Mesmo a China, que foi a primeira nação com pessoas infetadas com o novo coronavírus e que, curiosamente, vai conseguir manter uma taxa de crescimento positiva na ordem dos 1,2%, não está satisfeita. É que este número é desastroso, face ao crescimento de 6% previsto antes do Grande Confinamento.

Empresas e Covid-19: como combater o vírus sem baixar as vendas!

2020 | Economia mundial em recuperação

Nada como tentar recuperar os resultados ainda em 2020, mas a verdade é que as projeções a nível da economia mundial indicam que só em 2021 se vão conseguir começar a inverter os números. O FMI acredita que no próximo ano se atinja um crescimento de 5,8%, com a China a chegar aos 9,2% e a Europa e os EUA a registarem variações no PIB de 4,7%. Portanto, é uma questão de aguardarmos mais uns meses para vermos a economia mundial a começar a respirar, mas ainda assim com dificuldade, pois a recuperação prevista para 2021 não é suficiente para retomar a atividade económica perdida, ou seja, os cerca de 8,2 biliões de euros que se foram com a chegada imprevista da Covid-19.

Há o risco de não se conseguir recuperar em 2021? Sim, há, mas apenas em caso de retrocessos no controlo da pandemia, ou seja: se os períodos de isolamento social forem mais longos do que previsto, se o regresso ao estado de emergência em países que já estavam a sair da crise acontecer e/ou se surgirem novos surtos Covid-19 em 2020 e 2021. Na verdade, uma segunda fase de infeções e quarentenas mais prolongadas, aliada a eventuais agravamentos da crise sanitária, poderia conduzir a quebras no produto mais largas e a uma retoma mais difícil da atividade, com graves consequências para os bancos, mercado de trabalho, finanças públicas e privadas.

Portugal | Economia nacional com saldos negativos, mas condições para acelerar

O Governo anunciou uma série de medidas para ajudar as empresas a ultrapassar a crise. Algumas destinam-se a permitir que muitos negócios mantenham a sua atividade mesmo com quebras na faturação, outras pretendem evitar despedimentos que criariam um problema ainda mais profundo. E outras ainda, estão já de olhos postos no futuro e visam ajudar na retoma da economia, quando a crise for ultrapassada. Efetivamente, o alívio fiscal graças ao adiamento do pagamento IRC e IRS, já ajuda, a criação de linhas de crédito com garantia do Estado, também, mas não há nada que invalide a baixa de desempenho da economia portuguesa este ano, bem como os saldos negativos no Orçamento de Estado (muito devido à quebra de atividade no turismo, um setor que em Portugal tem um peso de 16,5% no produto e de 18,6% no emprego).

Mas, sejamos otimistas, conforme se for controlando o surto, serão suspensas, pouco a pouco, as restrições e poderemos, finalmente e lentamente, regressar à normalidade. Por outras palavras, se as medidas restritivas adotadas para travar a propagação da Covid-19 forem aliviadas até ao final do segundo trimestre de 2020, a atividade económica começará e Portugal – e o mundo – poderão desfrutar de condições favoráveis para acelerar. Embora de forma prudente e em situação, ainda vulnerável.

Neste momento é prematuro avançar com outros cenários quer para Portugal quer para o resto do mundo, mas uma coisa é certa: o Governo e os bancos centrais terão uma ação decisiva na retoma económica e a ajuda externa poderá ser uma saída para países com uma economia mais débil.

Até lá, leia o nosso artigo sobre trabalho remoto: dicas para a sua empresa não perder a produtividade durante o surto de coronavírus.

Sobre Sofia Santos
Sofia Santos
Para ela escrever é dançar, rodopiar, suar, cansar, brilhar, aprender, rir e sonhar. Ir e voltar sem sair do lugar!

Licenciada, pós-graduada e mestre em Comunicação.

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