Uma pessoa encontra uma obra de Gustavo Fernandes numa exposição, numa galeria, nas redes sociais ou noutro site. Gosta do que vê. A obra pode custar vários milhares de euros e, antes de considerar seriamente a aquisição, há um gesto bastante provável: pesquisar o nome do artista.
Essa pesquisa já nos tinha colocado um problema num projeto anterior. “Gustavo Fernandes” não identifica uma única pessoa na Internet. Entre os resultados encontram-se, por exemplo, futebolistas com o mesmo nome.
Este caso de criação de sites para artistas começou precisamente por aí: construir uma presença digital que permitisse identificar claramente o artista, conhecer o seu percurso e encontrar as suas obras. O passo seguinte foi bastante mais ambicioso.
A Galeria de Arte Online nasceu da ideia de criar um canal digital próprio para apresentar e comercializar arte, começando pela obra de Gustavo Fernandes, mas preparado para representar vários artistas.
A partir desse momento, deixámos de ter apenas um problema de webdesign ou comércio eletrónico. Tivemos de pensar como alguém descobre uma obra, como artistas muito diferentes podem coexistir dentro da mesma galeria, que informação acompanha uma aquisição de 14.500 euros e quanto espaço deve ocupar o próprio design quando aquilo que realmente interessa já é a arte.

A Galeria de Arte Online foi concebida para colocar obras, artistas e percursos no centro da experiência.
Gustavo Fernandes: o artista na origem do projeto
Gustavo Fernandes nasceu em 1964 e desenvolveu parte do seu percurso entre Portugal e o Canadá. Frequentou em Montreal a Mission Renaissance e o programa de Artes Plásticas e Gráficas do Dawson College. O seu trabalho atravessa pintura, desenho, escultura e fotografia, com uma presença particularmente marcada do realismo e do hiper-realismo.
O percurso inclui exposições individuais e coletivas em Portugal e no estrangeiro, bem como obras presentes em museus, hotéis, espaços públicos e coleções privadas. O próprio artista indica ser representado pela Plus One Gallery, em Londres, desde 2014.
Para este projeto, porém, interessava-nos sobretudo aquilo que acontece depois de alguém ouvir falar de Gustavo Fernandes.
Quando o nome do artista também é um problema de pesquisa
Um artista pode ser descoberto numa exposição, através de uma galeria, numa rede social ou num artigo. Depois dessa descoberta, pesquisar o nome é uma das formas mais simples de continuar a conhecê-lo.
No caso de Gustavo Fernandes havia uma dificuldade concreta: o nome é partilhado por outras pessoas com presença relevante na Internet.

Pesquisa por “Gustavo Fernandes” no Google, setembro de 2026. Os resultados podem variar consoante localização, dispositivo e utilizador.
Na pesquisa realizada em setembro de 2026, gustavofernandes.com surgia na primeira posição orgânica, imediatamente antes de resultados relacionados com um futebolista brasileiro com o mesmo nome.
O resultado identifica claramente o artista e dá acesso a informação controlada por ele: obras, biografia, exposições, coleções e percurso. O site oficial mantém atualmente essa estrutura de apresentação da obra e do artista.
Isso não significa que seja possível transportar a mesma fórmula para galeriadearteonline.pt.
“Gustavo Fernandes” é essencialmente uma pesquisa nominal. “Galeria de arte” é uma pesquisa genérica, compatível com muitas intenções e muito mais competitiva. Um domínio relevante ajuda a comunicar o tema do projeto, mas a visibilidade orgânica depende também de arquitetura, conteúdo, autoridade, referências externas, desempenho técnico e trabalho continuado de SEO.
O domínio é um ativo. Não é uma estratégia inteira.
De um site de artista para uma galeria com vários artistas
A ideia da Galeria de Arte Online partiu de Gustavo Fernandes. O objetivo era desenvolver um canal próprio para apresentar e comercializar obras, reforçar a presença digital e criar uma relação mais direta com quem descobre os artistas.
Esse canal não precisa de substituir galerias físicas, plataformas especializadas ou outros locais onde as obras possam estar representadas. O valor está também na diversificação: existir num espaço digital próprio, com identidade e regras próprias.
Nas primeiras fases apareceu um problema bastante natural.
O site parecia demasiado Gustavo Fernandes.
Era compreensível. Gustavo estava na origem do projeto e era sobre ele que existiam mais fotografias, mais obras, mais informação e um trabalho digital anterior já desenvolvido.
A primeira abordagem funcionava enquanto site individual. Funcionava pior como galeria.
À medida que integrámos outros artistas, reduzimos essa dependência e deslocámos o protagonismo para as obras e para a própria Galeria.
O segundo artista mudou o primeiro
A entrada de outros artistas transformou uma questão teórica num problema real de design.
Cristina Albaker, Ernesto Neves, Filipa Afonso, Licínio Saraiva, Victor Lages e os restantes artistas precisavam de existir dentro da mesma Galeria sem parecer extensões da identidade de Gustavo Fernandes.
Cada um chega com percurso, obra, fotografias e linguagem visual próprios.
A consistência teria de vir da Galeria, não da tentativa de fazer todos parecerem iguais.

Três artistas, três identidades visuais, a mesma estrutura de Galeria.
É uma diferença importante na criação de sites para artistas. Um sistema demasiado rígido resolve rapidamente a primeira página e começa a falhar quando chega o segundo ou terceiro autor.
Como se descobre uma obra de arte online?
Nem todos os visitantes começam pelo nome do artista.
Alguém pode chegar diretamente a uma obra através de uma pesquisa ou publicação. Outra pessoa pode começar por pintura, escultura ou por uma seleção de destaques. Depois de encontrar uma peça, pode querer conhecer o artista, explorar a série ou descobrir trabalhos relacionados.
Por isso, a Galeria não foi organizada como uma simples listagem de produtos.
Na página Obras, o visitante pode explorar trabalhos e filtrar por artista, categoria e preço. A navegação dá também acesso direto a Obras em Destaque, Pintura, Escultura, Serigrafia, Artistas e Séries.

A descoberta pode começar pela obra, pelo artista, pela categoria ou por uma seleção curatorial.
As relações continuam dentro de cada obra. Artista, série, técnica e categoria artística funcionam como diferentes portas para o catálogo.
A organização existe para que o visitante não tenha de pensar nela.
Uma galeria de arte não deve parecer uma loja online convencional
Tecnicamente, uma pintura pode ser vendida como qualquer outro produto: fotografia, descrição, preço, carrinho e pagamento.
Visualmente, isso não significa que deva ser apresentada da mesma forma.
Uma orientação do cliente durante o desenvolvimento resumiu bem aquilo que procurávamos:
“A imagem deve falar mais alto.”
A partir daí fomos simplificando várias páginas. Fundos claros, espaço, tipografia contida e menos elementos a competir com as obras.
Até começarmos a colocar obras reais no layout.
Uma loja convencional gosta de grelhas regulares. Fotografias com proporções semelhantes produzem cartões alinhados e alturas previsíveis.
A arte não colaborou.
Há pinturas verticais, horizontais, panorâmicas e praticamente quadradas. Uma escultura pode precisar de muito espaço vazio à sua volta. Cortar uma fotografia para uniformizar uma grelha é comum no comércio eletrónico; cortar uma obra para obter o mesmo efeito altera precisamente aquilo que estamos a apresentar.
Uma pintura com 210 centímetros de largura não quer ser quadrada
Flowing Ideas, de Gustavo Fernandes, torna o problema particularmente evidente.
A obra é apresentada na Galeria como original, óleo sobre tela, com moldura, dimensões de 105 × 210 cm e preço de 14.500 €.

A proporção da obra condiciona o design. Em Flowing Ideas, a largura faz parte da experiência visual e não deve ser sacrificada para uniformizar a grelha.
Em vez de cortar a imagem para obedecer ao espaço disponível, preservámos a proporção e deixámos a página acomodar a obra.
Uma obra de 14.500 euros torna também bastante concretas decisões que num wireframe poderiam parecer abstratas.
Ao lado de Comprar existe Agendar Visita.
Mais abaixo aparecem certificado de autenticidade, embalagem profissional e envio internacional.
O visitante pode concluir uma aquisição online ou perceber que, para aquela obra, precisa primeiro de estar perante ela.
A página da obra: contexto antes da transação
Uma imagem não responde a tudo.
Quem é o artista? Que técnica utilizou? Quais são as dimensões reais? A obra pertence a uma série? Existe certificado de autenticidade?
Na página de Flowing Ideas, por exemplo, é possível passar da obra para a série Corpo & Identidade, para Gustavo Fernandes e para as classificações artísticas associadas. Mais abaixo encontram-se os detalhes da obra, informação de aquisição, apresentação do artista e outras peças relacionadas.
Existe ainda espaço para algo que não quisemos substituir por texto genérico da Galeria: o Comentário do Autor.
Nem todas as obras terão necessariamente esse comentário no momento do lançamento. Preferimos que dependa daquilo que o artista queira efetivamente dizer sobre a peça, em vez de preencher automaticamente todas as páginas com interpretações atribuídas a terceiros.
A página tem uma função comercial. Também precisa de ajudar alguém a compreender o que está a considerar adquirir.
Comprar arte online exige confiança
Numa aquisição de vários milhares de euros, informação sobre autenticidade, proveniência, transporte e contacto deixa de ser acessória.
A Galeria tem por isso uma área própria dedicada a Autenticidade e Proveniência, organizada em torno da obra original, certificado de autenticidade, proveniência e conservação/manuseamento.

A informação sobre origem, autenticidade e conservação faz parte da experiência de aquisição.
A ressalva “quando aplicável” é importante. Uma obra original, uma peça única e uma edição limitada não devem ser descritas como se fossem exatamente a mesma coisa.
A informação acompanha a natureza concreta da obra.
Do ecrã para o atelier
Há uma opção que nenhuma funcionalidade de comércio eletrónico consegue reproduzir: estar fisicamente perante a peça.
As visitas podem ser realizadas mediante marcação prévia no atelier situado no Elospark II, Estrada de São Marcos, 33, Atelier 4, 2735-522 Agualva-Cacém.
Além de observar as obras à escala real, o visitante pode falar com o artista.
Isto muda também a forma como pensamos a conversão digital.
Se alguém encontra uma pintura através do Google, conhece o artista no site, explora outras obras, marca uma visita, conversa com o artista e só depois decide comprar, o percurso digital cumpriu uma função importante mesmo que a aquisição não tenha terminado num checkout.
Quando ainda não existe uma obra escolhida
Há visitantes interessados em adquirir arte que ainda não sabem exatamente o que procuram.
A Consulta Privada foi pensada para diferentes contextos: encontrar uma obra para casa, iniciar ou aprofundar uma coleção e selecionar arte para empresas ou espaços profissionais, incluindo escritórios, hotelaria e restauração.

A Consulta Privada cria um percurso para quem procura orientação antes de escolher uma obra concreta.
Nestes casos, apresentar mais filtros não resolve necessariamente o problema.
É preciso abrir espaço para uma conversa.
Construir para o próximo artista
Quando um novo artista entra na Galeria, não queremos reconstruir a Galeria.
Queremos acrescentar o artista e relacioná-lo com as suas obras.
O artista tem identidade, fotografia, percurso e informação biográfica. Cada obra tem imagens, título, técnica, dimensões e informação própria. Séries e categorias estabelecem outras relações.
Foi quando começaram a entrar outros artistas que esta arquitetura deixou de ser apenas uma decisão tomada antecipadamente.
Passou a resolver um problema real.
A página de Gustavo não precisa de funcionar como um molde visual rígido para Cristina, Victor ou qualquer artista que entre depois. Partilham a estrutura necessária para compreender quem é o artista, conhecer o seu percurso e chegar às suas obras.
A estrutura já sabe o que é um artista.
O que este projeto nos ensinou sobre a criação de sites para artistas
Algumas decisões aparentemente visuais revelaram problemas mais profundos.
Uma obra panorâmica obrigou-nos a questionar a regularidade das grelhas. A entrada de novos artistas obrigou-nos a rever a identidade da própria Galeria. A possibilidade de visitar o atelier mostrou que nem todas as conversões precisam de terminar online.
Há uma ideia comum aos três exemplos: o site funciona melhor quando se adapta ao projeto real em vez de obrigar o projeto a adaptar-se a uma solução pré-concebida.
Isso é particularmente importante na criação de sites para artistas, onde consistência visual e liberdade artística nem sempre apontam na mesma direção.
Gustavo Fernandes esteve na origem da Galeria, mas a estrutura não termina nele.
Outros artistas já ocupam o seu próprio espaço e novos nomes podem ser integrados sem que o projeto tenha de ser reinventado de cada vez.
Não construímos apenas páginas para aquilo que já existia.
Procurámos construir espaço para aquilo que ainda pode vir a existir.
Criação de sites para artistas e galerias de arte
Na Portal PME desenvolvemos sites e lojas online adaptados a artistas, galerias e projetos culturais, desde portefólios e apresentação de obras a comércio eletrónico, organização de vários artistas e integração entre experiência digital e espaço físico.
Se está a desenvolver um projeto nesta área, fale connosco.