Globalização – O Globo Na Palma Da Mão

Ninguém pode negar que hoje em dia o mundo é a nossa casa. Até os mais conservadores, se pararem para olhar em seu redor, vão descobrir que o seu portátil veio do Japão, que a manta que usa veio da China, que o seu televisor veio da Alemanha, que o seu chá preto veio de Inglaterra e assim sucessivamente. Quando parar de olhar em volta vai sentar-se atordoado e pensar: “É mesmo verdade.”

O choque da constatação de que vivemos num mundo global é maior nos mais idosos, que tão bem se lembram que para comprarem determinados bens de consumo do seu próprio país, tinham que por vezes andar quilómetros para os obter, à custa de muito suor e muitas horas passadas a andar a pé. Os produtos tinham origens designadas e os meios para a mobilidade eram escassos pelo que, quando a necessidade falava, lá se punham a caminho para comprar bens de primeira necessidade. Hoje em dia já não é assim. Conseguimos saborear a Tailândia, a Índia e o Japão num virar de quarteirão. E porquê? Porque o fenómeno de Globalização deixou-nos o globo na palma da mão.

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A Globalização é o processo de transformação de fenómenos locais em fenómenos globais, levando a que todas as pessoas do mundo se unifiquem numa única sociedade e funcionem em conjunto.

Mas como chegámos a este ponto? Ainda que a resposta possa aparentar ser simples, os seus processos não o são, pois para que a mudança se desse foi necessário um conjunto de efeitos económicos, tecnológicos, socioculturais e políticos, que permitiu a integração das economias nacionais na economia internacional através do comércio, do investimento directo estrangeiro, fluxos de capital, a migração, bem como a disseminação da tecnologia.

Em resumo, a implementação da globalização foi feita através de forças motrizes que exerceram pressões elevadas, levando a que consequentes mudanças inevitáveis na estrutura que até à data existia se dessem.

A primeira força motriz indutora de mudança relacionou-se com as interferências e ameaças nas economias nacionais. Ou seja, ao existir uma suposta globalização do mercado mundial, os mercados não encontraram outra alternativa senão abrir fronteiras às transações ou abririam falência, levando a que consequentemente os países se tenham consciencializado de que tinham que ser flexíveis, tendo-se deixado interpenetrar pelo estrangeiro de uma forma gradual.

A segunda encontrou-se intimamente ligada com as alterações e “falências” dos “estados previdência” atingindo as políticas nacionais da segurança social, isto é, com a globalização os estados foram “obrigados” a apostar no mercado mundial ficando sem fundos para financiar os “estados previdência” que garantiam às pessoas.

A terceira constituiu-se como o abalo da imagem dos estados nacionais fechados, auto-suficientes, o que quer dizer que a imagem dos estados autárcicos foi por completo apagada pois agora os estados apresentavam-se muito sensíveis ao mercado mundial.

A última, foi o pacote de políticas de desnacionalizações de sectores empresariais do estado, muitos deles considerados estratégicos.

E assim, através destas quatro forças motrizes a globalização penetrou no mundo afetando-o em variadas áreas, nomeadamente:

  • Indústria – verificou-se uma emergência da produção mundial dos mercados e do acesso a uma gama mais vasta de produtos estrangeiros para consumidores e empresas, tendo-se verificado ainda a circulação facilitada de materiais e mercadorias dentro e fora das fronteiras nacionais.
  • Finanças – ocorreu o aparecimento de mercados financeiros a nível mundial.
  • Economia – passou a existir um mercado global comum, com base na liberdade de troca de mercadorias e de capitais.
  • Política – foi criado um governo mundial com o objetivo de regular as relações entre os governos e as garantias dos direitos sociais e económicos decorrentes da globalização.
  • Informação – verificou-se um aumento dos fluxos de informação entre locais geograficamente distantes, que se traduziu no advento das comunicações de fibra óptica, satélites e aumento da disponibilidade de telefone e Internet.
  • Concorrência – a sobrevivência das empresas no novo mercado global apelou à melhoria da produtividade e ao aumento da concorrência. Devido ao mercado mundial, empresas em diferentes indústrias tiveram que actualizar os seus produtos e habilidades no uso da tecnologia para enfrentar o aumento da concorrência.
  • Ecologia – verificou-se um aumento do número e intensidade dos desafios ambientais globais que com a globalização podem vir a ser resolvidos com a cooperação internacional.
  • Cultura – verificou-se um crescimento significativo dos contactos multi-culturais e da absorção de diferentes estilos de vida.
  • Sociedade – desenvolveu-se o sistema de organizações não-governamentais como principais agentes da política pública global, tendo sido feitos esforços no sentido dos temas da ajuda humanitária e de desenvolvimento.

Para além destes, em muitos outros campos a globalização possuiu um papel preponderante de mudança evolutiva. Importa notar também, que dada a sua introdução ter ocorrido de forma gradual (apesar de rápido) dificilmente se verificará a existência de um processo inverso.

A irreversibilidade deste fenómeno acrescenta ainda uma atribuição de poder ao ser humano. O Homem global já não está preso às dimensões. A globalização permitiu-lhe através de todas as ferramentas associadas às novas tecnologias, uma nova postura face ao tempo e ao espaço, garantindo-lhe até a possibilidade de ultrapassar as suas dimensões. Para além disso, dada a capacidade de apreender todo o tipo de informação através da internet, dotou-o também de um manancial de informação enorme, levando-o a sentir-se cada vez mais poderoso num mundo que não é só seu, mas cuja pretensão interna que o motiva, o faz sentir como parte da sua mão.

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About The Author

Daniela Ferreira

O meu nome é Daniela Ferreira e sou Engª. do Ambiente formada pelo Instituto Superior Técnico. Defendo que a função de um engenheiro é servir. É pôr a tecnologia ao serviço da população. Defendo a educação ambiental com unhas e dentes. Sou uma acérrima defensora de que a verdadeira forma de alcançar o desenvolvimento sustentável de que tanto se fala passa pela educação das gerações mais novas, e a re-educação das mais maduras. Adoro escrever (poesia sobretudo), pintar, desenhar e dançar. Não sou uma engenheira convencional. Mais do que isso sou uma mulher “de ideias fixas.” Leiam-me. Não se vão arrepender.

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