A Biodiversidade E As Alterações Climáticas

Uma reflexão sobre a biodiversidade e as alterações climáticas

Todos falam em alterações climáticas e perda da biodiversidade, mas será que sabem mesmo do que estão a falar? Será que as pessoas têm consciência das consequências de algo que não lhes parece tangível e que pode muito bem ser “treta dos governos mundiais”? Olhemos para as evidências para concluir algo e não nos baseemos no famoso diz-que-disse a fim de podermos tomar uma posição nesta discussão. Vamos então a factos:

A Terra está a perder biodiversidade a uma taxa sem precedentes, e isso é indiscutível. No último dia Internacional da Biodiversidade, 22 de Maio, a temática que se destacou foi o papel das alterações climáticas como preocupação central, pois elas constituem-se como uma das maiores ameaças à biodiversidade no Planeta, juntamente com a destruição de habitats, poluição e proliferação de espécies invasoras.

Sabia que na Europa, a subida do nível do mar poderá ser até 50 % mais acentuada do que a média global? E que cerca de 20% das zonas húmidas podem correr o risco de desaparecer até 2080, arrastando as espécies animais e vegetais que delas dependem? E agora uma questão que lhe toca diretamente – sabia que os ecossistemas mediterrânicos, incluindo os de Portugal, estão entre os mais vulneráveis sofrendo subidas de 2 a 5º C, sob um efeito combinado da seca e dos fogos florestais? Já pensou bem nisto? Já pensou que não fomos originalmente feitos para viver em selvas de betão, e que por mais que tentemos adaptar-nos a essa vida, fechando os olhos àquilo que ainda é o nosso suporte ao nível alimentar (quer animal, quer vegetal) estamos a viver uma mentira?

Se neste momento já estiver convicto de que é preciso agir continue connosco e leia o que já tem vindo a ser feito neste sentido. Dada a dimensão e inter-relações do problema das alterações climáticas, é necessária uma forte vontade e determinação coletiva quer a nível global, nacional e local. Concretamente, torna-se importante preservar a biodiversidade especialmente sensível às alterações climáticas, estabelecer redes de áreas protegidas (terrestres aquáticas e marinhas), criar refúgios e preservar habitats que permitam uma adaptação de longo termo, reforçar a investigação sobre as ligações alterações climáticas-biodiversidade, e integrar plenamente a biodiversidade nos planos de mitigação e adaptação que cada país deve criar.

Ao nível de cada cidadão individual saiba que pode ajudar contribuindo quer de forma monetária para muitas associações de recuperação de habitats e/ou de conservação de determinadas espécies, como também ser voluntário em alguma delas, trabalhando de perto no terreno com as espécies ameaçadas e/ou a dar apoio a um trabalho mais ao nível do registo e identificação das espécies a preservar. Para além disso, pode ainda participar ativamente em sites onde poderá saber mais sobre todas as espécies de plantas identificadas) ou onde poderá aprender sobre o que fazer para lidar com plantas invasoras.

Para além destas iniciativas pontuais, a nível europeu existem também outras iniciativas voluntárias com o intuito não só de proteger mas de educar as pessoas para a realidade da perda de biodiversidade em consequência das alterações climáticas.

Em Portugal, as alterações climáticas, que se fazem sentir cada vez mais, associadas à ausência de medidas adequadas de gestão de espécies e habitats e ao desregrado ordenamento do território, poderão fazer com que percamos parte substancial da sua riqueza biológica e que é um dos nossos maiores legados ao nível do capital natural.

Uma das questões frequentemente abordadas por quem tenta travar a perda de biodiversidade é a do constante alertar para os serviços que esta nos presta. O comum dos mortais que vive embrenhado na sua própria vida acaba por esquecer rapidamente aquilo que tem como garantido, e no tema da biodiversidade isso acontece.

Deste modo, para que não se esqueça dos serviços que a biodiversidade nos presta, e não dê como garantidos, alertando todos à sua volta para a necessidade e interdependência que deles temos, recordemos quais são eles. A diversidade biológica é a base da vida no nosso planeta, e apesar de não termos essa consciência é um dos principais pilares do desenvolvimento sustentável. A riqueza, variedade e diversidade da vida tornam possível o “fornecimento de serviços dos ecossistemas” dos quais dependemos como são: água potável, alimento, abrigo, medicamentos e vestuário. Os ambientes ricos em biodiversidade são mais resistentes quando atingidos por uma calamidade e por isso dizem-se resilientes.

A avaliação dos ecossistemas do mundo e seus serviços feita num estudo à escala mundial permitiu a identificação das alterações climáticas como a maior causa da perda de biodiversidade do nosso planeta, em conjunto com a alteração do padrão de uso dos solos pelo que, se queremos que o nosso planeta seja resiliente (tal como os ecossistemas mais biodiversos que entre si cooperam apesar das suas diferenças/diversidades), temos que preservar a biodiversidade quer ao nível vegetal, quer ao nível animal, e também, não nos esquecermos de preservar, incentivar e disseminar este modelo natural entre as nossas organizações humanas, que tendencialmente procuram a standardização de processos e de recursos.

Ainda assim, e como o planeta terra já cá estava quando chegámos, ele continua a responder de forma natural à necessidade de adaptação causada pelas variabilidades que lhe vão sendo induzidas, como exemplo temos que as alterações climáticas já estão a forçar a biodiversidade a adaptar-se, seja através de mudanças de habitat, alterações nos ciclos de vida, ou o desenvolvimento de novas características físicas. Os impactes já observados incluem por exemplo o branqueamento de corais causados pelo aumento de temperaturas do mar, algumas espécies de aves a adiantar a sua época de nidificação, outras desaparecendo totalmente das áreas originais, populações de ursos polares a ficar em risco à medida que o alimento se torna cada vez mais difícil de caçar, etc.

Tendo tudo isto em mente é interessante não deixar de pensar no impacte que oferecemos dia-a-dia no nosso planeta. Porém, e apesar de existirem espécies que se conseguem adaptar, nem todas conseguem, enfrentando o potencial de extinção. Sejamos aquilo que a natureza nos permitiu ser, e conscientes, travemos a luta contra os que inconscientemente vão deixando o seu lar sem forma de ser sustentável. Todos juntos pela biodiversidade conseguimos fazer mais e melhor!

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Daniela Ferreira

O meu nome é Daniela Ferreira e sou Engª. do Ambiente formada pelo Instituto Superior Técnico. Defendo que a função de um engenheiro é servir. É pôr a tecnologia ao serviço da população. Defendo a educação ambiental com unhas e dentes. Sou uma acérrima defensora de que a verdadeira forma de alcançar o desenvolvimento sustentável de que tanto se fala passa pela educação das gerações mais novas, e a re-educação das mais maduras. Adoro escrever (poesia sobretudo), pintar, desenhar e dançar. Não sou uma engenheira convencional. Mais do que isso sou uma mulher “de ideias fixas.” Leiam-me. Não se vão arrepender.

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