Aprender A Programar

A importância de aprender a programar

O mundo em que vivemos transforma-se a cada segundo numa versão tecnológica mais desenvolvida de si mesmo. Para onde quer que olhemos não conseguimos conceber o mundo atual sem a tecnologia. Não nos permitimos ter um dia sem telemóvel, sem o GPS do carro, sem a televisão de mil canais. A verdade é que apesar de dependermos de forma quase vital da tecnologia que nos rodeia, nunca paramos para pensar como é concebida, e nem atribuímos importância ao simples facto de perceber o que está por detrás dela.

Tudo começa com a programação de uma máquina, seja ela um computador seja ela um autómato. E a ciência começa exatamente no ponto em que a programação se inicia, visto ela ser a linguagem que permite articular todo um código de informações que é passado à máquina, que desejamos ver a funcionar de acordo com as nossas necessidades.

Hoje em dia, dada a sempre imparável evolução tecnológica, que resulta num consequente número crescente de dispositivos móveis e difusão das redes sociais, assiste-se à criação de novas necessidades que precisam de ser supridas. Todavia as previsões não são favoráveis ao sector em Portugal. As estimativas apontam para a existência de uma carência generalizada de programadores, sendo que seriam necessários pelo menos mais 15 mil programadores até 2020, para suprir as necessidades de forma mais básica.

aprender a programar

Esta disparidade existente entre a grande procura de profissionais e a escassa oferta levou João Magalhães e Domingos Guimarães a criarem a inovadora Academia de Código. O seu objetivo foi o de prepararem e ensinarem quem queira aprender a linguagem de código que permite programar. Acertaram como público-alvo os licenciados desempregados que não encontram trabalho em outras áreas, e os alunos do primeiro ciclo do ensino básico, porque acreditam que é possível ensinar aos mais velhos as linguagens de programação mais usadas em empresas tecnológicas, fazendo-os adquirir vantagem competitiva face aos restantes candidatos a estas empresas, e também que é possível e desejável que os mais pequenos consigam criar histórias animadas, programas interativos e pequenos jogos, permitindo-lhes assim o desenvolvimento das suas capacidades cognitivas ao nível do raciocínio espacial e operacional.

A necessidade deste tipo de iniciativas é premente, visto existir uma panóplia de preconceitos em torno de quem trabalha nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Chamam-lhes “geeks”, “nerds”, e são comumente confundidos com “bichos-do-mato” que não dedicam tempo algum à sociabilização. Tal como eles próprios diriam, essa definição das suas pessoas é muito “oldschool” e não corresponde à realidade. A verdade é que ao entrarmos numa empresa tecnológica deparamo-nos com espaços pensados à medida dos colaboradores, com espaços reservados à estimulação da sua criatividade, que promovem o seu bem-estar e a sua produtividade, sendo ainda recompensados ao final do mês com um valor monetário acima da média.

Mas regressemos à Academia de Código cujo objetivo já se viu ser o de programar o futuro. Esta ideia viu a luz do dia em 2014, quando foi apresentada à StartUp Lisboa, a incubadora tecnológica criada pela autarquia de Lisboa, que apoia o surgimento de novos projetos empresariais na cidade.

A funcionar em velocidade de cruzeiro encontra-se então uma das partes da iniciativa (a de mais fácil implementação) de seu nome Academia de Código Júnior. Esta academia iniciou-se como um projeto piloto de 12 meses, abrangendo 65 alunos dos 3º e 4º anos do primeiro ciclo. O procedimento será começar a introduzir junto destes, exercícios de estímulo lógico e de cálculo matemático (de forma a que a relação com a matemática também veja melhores dias) para que de forma suave, se faça a transição para a utilização dos computadores, afim de poderem construir pequenos jogos e histórias.

Uma das maiores resistências ao avanço deste tipo de projetos é a alheação dos pais e educadores face às necessidades da integração da tecnologia no mundo tal como o conhecemos. Há sempre quem pense que estas iniciativas esforçam demasiado os limites das crianças e as levam a um isolamento progressivo, que só é colmatado com a utilização de material tecnológico e que a longo prazo se transformam em adultos tecnologicamente dependentes.

Não podemos ser tão conservadores, porque todos sabemos que qualquer tipo de aprendizagem tem que ser supervisionada, e por isso há limites que se impõem e ferramentas adequadas para desenvolver o conhecimento. No presente caso a ferramenta utilizada é o Scratch, uma interface gráfica criada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que permite criar programas interativos, através das suas linhas de comando organizadas em blocos, que permitem de forma muito intuitiva montar blocos de ações que se pretendem ver realizados, com o auxílio do rato do computador.

Ao terem contato com estas ferramentas os alunos conseguem aprender de forma criativa e divertida, sendo natural a facilitação do processo de aprendizagem cognitiva deste tipo de linguagem, que já vimos ser tão útil para o futuro que se avisa. Começa a tornar-se inevitável a aprendizagem de código de programação nas escolas cada vez mais cedo, sobretudo se se olhar para países como a Estónia que em 2012 a integrou no seu ensino em grande parte do currículo escolar, ou para o Reino Unido, onde desde 2014 se tornou obrigatório aprender programação nos ciclos escolares dos seis aos 17 anos.

Aprender a programar é como aprender qualquer outra linguagem. Num mundo globalizado se não soubermos falar outras línguas que não a nossa podemos ficar para trás na corrida em direção ao futuro. Tal como Charles Darwin afirmou na sua teoria da evolução que os seres que sobreviviam, eram os melhores adaptados às condições do ambiente, também nós podemos programar o futuro das nossas gerações, dando-lhes desde o seu início ferramentas que as permitam adaptar-se a um futuro em constante “upgrade”.

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About The Author

Daniela Ferreira

O meu nome é Daniela Ferreira e sou Engª. do Ambiente formada pelo Instituto Superior Técnico. Defendo que a função de um engenheiro é servir. É pôr a tecnologia ao serviço da população. Defendo a educação ambiental com unhas e dentes. Sou uma acérrima defensora de que a verdadeira forma de alcançar o desenvolvimento sustentável de que tanto se fala passa pela educação das gerações mais novas, e a re-educação das mais maduras. Adoro escrever (poesia sobretudo), pintar, desenhar e dançar. Não sou uma engenheira convencional. Mais do que isso sou uma mulher “de ideias fixas.” Leiam-me. Não se vão arrepender.

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